Luz
Artificial

Evidentemente, você não precisa ir tão fundo para começar a se beneficiar do uso de uma boa iluminação artificial. Mesmo em locais bem rasos, lá pelos 10 metros, a iluminação já pode fazer a diferença, realçando os tons quentes (vermelhos a amarelos). Além disso, muitos animais buscam abrigo em pequenas locas, cantinhos escuros sob pedras, grutas, locais onde a imagem fica péssima sem uma luzinha. Então, a luz é totalmente imprescindível, certo? Não é bem assim. Há diversas situações em que a luz artificial (termo usado em contra-ponto à luz natural, do Sol) pode atrapalhar mais do que ajudar. Se você vai mergulhar no raso, até uns 15-20 metros, em águas transparentes, com sol forte (o padrão em Fernando de Noronha, por exemplo), um filtro apropriado e uma boa câmera gerarão imagens de colorido ótimo. Com uma grande vantagem: a cor é uniforme na cena toda, mesmo em objetos mais distantes, onde uma luz artificial não teria mais efeito. Usualmente se faz uma escolha ao lidar com controle de cor: filtro ou luz. O uso concomitante torna os objetos alcançados pela luz excessivamente vermelhos. Por outro lado, usando a luz, as cores quentes só aparecerão até onde a luz alcança, o que dificilmente ultrapassa os 2 metros (ou muito menos, se a luz for fraca). É um dilema frequente. No exemplo citado acima, de Noronha, nossa produtora adota como padrão o uso só de filtro para filmar cenas em grande angular, com turistas-clientes e fauna normalmente a mais de um ou dois metros de distância. Se usássemos luz, o que está pertinho, como uma raia-prego ou uma tartaruga, estariam iluminados, mas o mergulhador e o cenário por trás dele estariam azuis, sem cor, sem graça.
Ao escolher uma luz, é importante se certificar que seja apropriada para vídeo. É bem difícil que uma adaptação de uma lanterna sub convencional funcione bem para filmar. As lanternas costumam priorizar o alcance à maior distância possível, concentrando o foco. Essa concentração gera um ponto de luz muito intensa no meio da imagem, o "hot-spot", sobre-expondo ("estourando") esse ponto. A luz de vídeo tem que ser bem difusa, homogênea, e com um ângulo bem aberto. Se não for, além do hot-spot, terá zonas mais claras e coloridas que outras, normalmente em forma de anéis. Dica: a filmagem ideal terá uma iluminação sutil, de forma que o expectador comum nem se dê conta de que havia luz extra na cena.
Outra característica importante é o tipo de lâmpada. Hoje em dia encontramos, basicamente, dois tipos: halógenas e HID (High Intensity Discharge). A primeira é uma lâmpada de filamento incandescente (como as tradicionais, domésticas), a segunda não tem filamento. Sem detalhar muito, essa é mesmo a principal diferença que nos importa. Filamento incandescente (halógenas) implica em perder boa parte da eletricidade (leia-se: carga da bateria) na forma de calor. Queremos luz, e não calor. Queremos baterias que durem bastante, sem desperdício. Além disso, as halógenas costumam ter um tom mais avermelhado ("quente"), que muita gente considera pouco natural (lembra-se de dica do parágrafo acima?). Por outro lado, as halógenas são menos caras (má notícia: qualquer iluminação boa de vídeo-sub é cara), são usualmente mais resistentes, e, bem, têm um tom mais quente... A questão do tom quente (falso) x frio (natural) da luz não é unânime, e já há opções no mercado de lâmpadas HID de tons mais quentes. As lâmpadas HID consomem bem menos bateria, ou seja, com uma potência em Watts bem menor, geram bastante luz (10W na HID podem equivaler a 35W de halógena. Obs: valores variam entre fabricantes; estão aqui só para se ter uma idéia).
Acredito que logo logo teremos no mercado (se é que já não temos) opções de iluminação própria para vídeo que usem LEDs. Já há lanternas sub, e já há luzes de vídeo para uso externo. A principal vantagem: consumo de bateria irrisório. Além disso, são virtualmente eternas (força de expressão, ok?), não queimam.
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