Câmeras
Um bom
ponto de partida para escolher o equipamento é a câmera.
Mais específicamente, qual o tipo, qual o padrão de
gravação. Hoje em dia não vale a pena sequer cogitar a
compra de uma câmera analógica (VHS, Hi8, Beta SP, etc.).
Se já tem uma e a grana está curta... quem sabe, mas ainda
assim, a recomendação óbvia é que já comece no mundo
digital. Para um nível básico até um "profissional
independente" (traduzindo: um profissional comum, fora de
uma mega-estrutura abonada), difundiu-se por mais de uma
década o uso do padrão DV (e seus irmãos "pro": DVCAM,
DVCPRO 25, etc.). É um padrão com enorme variedade de
câmeras, das mais simples às mais sofisticadas, tanto a
qualidade como o preço variam muito. Foi o padrão
responsável pela revolução do mundo da geração de imagens e
programas. Câmeras pequenas, leves, de valor acessível são
capazes de gravar imagens de qualidade "broadcast"
(transmissão para TV). Tamanho, peso, preço e qualidade:
quatro características extremamente convenientes para o uso
subaquático. Ainda é o mais difundido, mas já tem muita
gente migrando para padrões High-Definition (HD, alta
definição, com quase quatro vezes mais "linhas de
definição" que a SD, ou Standard-Definition). Discutirei os
formatos HD a seguir. O problema é que nem toda câmera DV
gera imagens boas, especialmente debaixo d'água, onde as
condições de luz são muito diferentes do uso
"convencional". Duas características técnicas são cruciais:
a quantidade e o tamanho de sensores, os CCDs.
Cardume de Enxadas,
Recife PE
Os CCDs
são os dispositivos por trás das lentes que convertem luz
em sinais elétricos (processo analógico!), que por sua vez
são processados e convertidos na informação digital, que é
então armazenada, usualmente numa fita. A luz é separada em
três componentes, vermelho (Red), verde (Green) e azul
(Blue), ou "RGB". A junção dos três forma a imagem como a
vemos. Uma câmera com 1 CCD lida com os três componentes no
mesmo dispositivo. Uma câmera com 3 CCDs tem um dispositivo
para cada componente, gerando imagens de colorido
significativamente melhor. Debaixo da água, onde as cores
são naturalmente alteradas para tons azuis e verdes, a
discrepância entre 1 e 3 CCDs é ainda mais evidente. O
tamanho dos CCDs influencia a imagem final basicamente por
um motivo: um sensor (CCD) maior recebe mais luz, que é
melhor distribuída por todos os pixeis que o compoem. Isso
acaba gerando imagens mais nítidas, com resolução aparente
melhor e menos ruído (aqueles pontinhos que parecem
chuviscos, ou areia espalhada pela tela, especialmente em
cenas escuras). Os CCDs são medidos em polegadas (na
verdade, em suas frações), e no padrão DV os tamanhos mais
comuns são 1/4" , 1/3", 1/2" e 3/4" . Há sensores menores e
maiores, e via de regra, quanto maior, melhor imagem.
Porém, quanto maiores os CCDs, maiores as câmeras, maior o
consumo de bateria, etc.. Para se ter um exemplo, câmeras
semi-profissionais, como a renomada Sony PD-150/170, usam 3
CCDs de 1/3 de polegada. Ainda que chamada de
semi-profissional, foi campeã de uso submarino
profissional, e mesmo fora da água, foi responsável por
quantidades grandes de programas de TV gravados fora de
estúdios. Para um uso menos ambicioso, sensores menores (em
câmeras mais baratas), podem ser suficientes. Há opções de
câmeras com sensores de 1/4" com resultados ótimos. A dica
é: encaixe no seu orçamento, e nas suas expectativas o
maior número e o maior tamanho de CCDs que puder (obs.:
falarei sobre os novos sensores CMOS na parte sobre
High-Def.).
Há outros formatos SD (acostume-se com as siglas!
Lembre-se: SD=Stardard Definition, HD=High Def.) em linhas
mais "populares", como o D8 ("Digital Eight", ou D. Oito),
e as que gravam direto em DVD ( alta compressão em MPEG-2).
Como disse, são mais "populares"; leia-se: mais simples,
mais baratas. Por questões de mercado alvo, a maioria visa
preços competitivos, em detrimento do melhor uso das
tecnologias. De novo, dependendo de suas expectativas,
podem funcionar para você ou não.
Todo mundo está careca de saber que as tecnologias evoluem
num rítmo alucinado. Pois bem, estamos há alguns anos numa
virada tecnológica que ainda durará um tempinho: a migração
dos padrões SD para HD. Não se trata só de câmeras, mas de
transmissões de TV, aparelhos domésticos (a TV), etc.. E
nem vamos entrar aqui na discussão da internet como
veiculadora de vídeos... Neste contexto, estão pipocando
diversos padrões de câmeras Hi-Def. Aparentemente, o padrão
HDV tem sido a escolha natural para substituir o DV. Mas é
cedo para dizer que o HDV vai ter o mesmo sucesso técnico e
comercial do DV. Equipamentos HDV usam a mesma bitola de
fita (6mm) do DV para gravar imagens com muito, muito mais
pixeis por quadro(1440x1080 vs 720x480, respectivamente.
Obs.: há outros tamanhos de imagens, mas não vamos fundir
suas cabeças, ok?). Isso os torna conveniente, pois muitas
câmeras podem gravar ambos os formatos, HDV e DV. Apesar da
semelhança no nome e na fita, são padrões tecnicamente
muito diferentes, em especial na forma como a informação é
processada e armazenada.

Algumas
novas câmeras HDV trouxeram das cinzas versões hi-tech de
sensores CMOS (tecnologia antiga que ficou meio de lado por
décadas). Sem entrar em detalhes técnicos, vamos às minhas
primeiras impressões sobre os CMOS: dão resultados
surpreendentes, mesmo em câmeras 1 CMOS, e de tamanho
reduzido (como 1/4"). Cores vibrantes e fiéis, e nível de
ruído mais baixo, comparando-se com câmeras CCDs de preço
equivalente (mesmo as 3 CCDs). Já aparecem no mercado
câmeras 3 CMOS que têm surpreendido até o pessoal mais
abonado, que usa câmeras 20 vezes mais caras (ok, ok, elas
aindas são bem superiores, mas poucos podem pagá-las, e bem
menos gente está disposta a enfiá-las debaixo d'água). O
CMOS tem outras vantagens importantes para a gente:
precisam de menos espaço dentro da cämera, e consomem menos
energia. Trocando em miúdos: câmeras pequenas com baterias
que duram bastante. Mergulhadores adoram isso!
Na prática, para você, mergulhador, o HDV vai ser útil se
já quiser começar a ter imagens em HD, mas tenha em mente
que vai precisar de computadores mais potentes para
editá-las, TVs compatíveis para assistí-las, e menos opções
de formato final HD (gravadores Blu-Ray e HD-DVD ainda
estão nos primórdios de suas evoluções). Outros formatos
para câmeras pequenas, como o AVCHD têm futuro e vantagens
ainda mais nebulosos, mas podem "vingar". Nem vou começar a
falar de formatos HD mais profissionais, pois suas câmeras
fogem muito do valor que o mergulhador médio está disposto
a pagar. De qualquer forma, por enquanto, sugiro alguma
cautela e boa reflexão sobre o que esperar de um
equipamento Hi-Def.
Quem leu até aqui e não achou nada sobre vídeo gravado em
câmera fotográfica digital, não se frustre comigo. Mas
ainda acho que isso está em algum ponto entre foto e vídeo.
Não é vídeo no sentido mais convencional, ainda que seja
uma forma conveniente (leia-se barata) de registrar em
movimento os seus mergulhos, compartilhá-los com amigos
pela internet, e até, gerar uns DVDs bonitinhos. Mas não
vai muito além disso, e está totalmente fora de cogitação
para qualquer uso profissional (será mesmo...
?).